terça-feira, 16 de julho de 2019


os anjos àqueles 500 galileus (nos Atos dos Apóstolos, capítulo 1, versículos 9 a 11). Aliás, é muito importante a leitura do 1º capítulo do livro dos Atos dos Apóstolos.

Então a vinda de Jesus é visível?

Quem o diz é o Apocalipse ditado pelo próprio Jesus: "e todo olho o verá". Todos os que estiveram na altura da sua vinda O verão. Não somos informados de que a vinda pessoal do Cristo haja de se dar no silêncio da meia noite, ou no deserto, ou no interior da nossa casa. Não virá como um ladrão, às escondidas ou em silêncio para furtar riquezas a que não tem direito, mas virá para buscar o seu mais querido tesouro: são aqueles seus santos, mortos e vivos, comprados com Seu próprio sangue precioso. Aqueles aos quais arrebatou do poder da morte, em sério e patente conflito, para os quais a Sua volta não será, também, menos patente e triunfal. Será como o brilho e resplendor do relâmpago quando fulgura do Oriente ao Ocidente.

Quem disse isso? 

O próprio Jesus. (Basta reler o Evangelho segundo São Mateus, capítulo 24, versículo 27). Será como um som de trombeta que penetrará até as mais recônditas profundezas da terra, com uma voz potente que despertará os santos, aqueles que dormem nos seus leitos de pó, transitoriamente, provisoriamente.

Onde vemos isto?

Além do Evangelho de São Mateus, capítulo 24, também na Epístola aos Tessalonicenses, no São Paulo dos gentios, naquele São Paulo mais integrado na grandeza do Cristo, depois da sua queda do cavalo na estrada de Damasco. Tudo isto vai se cumprir. Agora, Jesus virá para os ímpios com um ladrão, estes sim, estes vão ser surpreendidos, aí sim, aí a volta de Jesus, como Ele mesmo declarou, será como a de um ladrão, isto é, imprevistamente, inesperadamente. 

Por quê? Porque os ímpios, os que debocham do Evangelho e do Apocalipse, e os que se riem do Cristo e do próprio Deus, ainda hoje, obstinadamente, fecham os olhos aos sinais da Sua aproximação. Recusam-se a crer na Sua Palavra que é a Bíblia Santa, mas interpretada em espírito e verdade, a Palavra de Deus que declara que Jesus já está às portas. Naturalmente eu sei que muita gente diz: - Mas isso aí é esquisito, Jesus diz no Apocalipse "eis que breve Eu venho", quase dois mil anos e Ele ainda não veio!

Mas não é muita tolice querer comparar o "breve" dos homens com o "breve" de Deus? O salmista não disse que mil anos para Deus são como o dia de ontem, o dia de ontem que para nós já passou, isto é: mil anos dos homens, um dia para Deus. Então, Jesus pede apenas dois dias para voltar e você acha muito? Mas já está às portas. Imaginar, como alguns pretendem, duas vindas: uma privada e outra pública em relação com o segundo advento, carece de qualquer base evangélico-apocalíptica.


É uma volta só! Até mesmo aqueles que o traspassaram, aqueles próprios, em complemento a todo o olho mencionado atrás, que ocuparam lugar mais ativo na tragédia da sua crucificação, até estes, verão Jesus voltar em triunfo e grande glória. Quem o diz é Zarur? Não! É o Apocalipse de Jesus segundo São João. 

Mas como pode ser isso? Como, se agora já não estão vivos, poderão vê-Lo quando vier?

Pela ressurreição. Digam vocês o que quiserem dizer, mas nós sabemos que a morte não existe. Sair do sepulcro é uma figura espiritual, o espírito nunca ficou lá dentro do sepulcro. Ficou a carne que apodrece e se transforma em outros seres vivos, porque a morte não existe no Universo. Só acreditam na morte aqueles que estão espiritualmente mortos.

E, também, há muita gente que diz: - Bom, quando Jesus voltar, graças a Deus, não estarei lá! Quem disse que você não vai estar lá? Ou vivo ou morto, ou morto ou vivo, ou vivo morto, ou morto vivo, você vai estar, sim senhor! Eu vou estar, todos vamos estar, porque você vai estar na sua individualidade espiritual que é eterna. O seu espírito não morre, o corpo é uma transição, o espírito toma tantos corpos quantos sejam necessários à sua evolução na marcha para Deus.

Portanto, se muita gente diz "graças a Deus já não estarei vivo quando Jesus voltar", basta que você saiba que quando você morre o mundo para  você  se  acabou,  e  Jesus  voltou nesta hora, mas para o Universo, para o grande planejamento universal, a volta de Jesus será quando Deus determinar de acordo com o próprio Filho.

E, então, o Espírito Santo já está abrindo caminho, porque o Espírito Santo é, exatamente, esta multidão de espíritos de luz, mensageiros, missionários, emissários, estafetas que estão alertando a Humanidade, e dizendo: - Chega de ilusões meninos cabeludos ou não cabeludos! Chegou a hora da nossa integração na Verdade Eterna, chegou a hora de dizer: está bem o iê-iê-iê, o samba, a bossa nova, a nova dança, tudo isso é interessante, tudo isso é muito bonito, mas acima de tudo isto, o mais importante é o julgamento divino que se aproxima de nós, é a volta do Cristo, que é o dono do planeta. E esta é a linguagem que todos entendem, é Aquele que manda, é Jesus, é Aquele que manda e tem todo poder na terra e no céu.

"Naquele tempo se levantará Miguel, o grande Príncipe, que se levanta pelos filhos do seu povo e haverá um tempo de angústia como nunca houve desde que houve nação até aquele tempo."

Vejam bem! Isto é uma revivência de Daniel, grande profeta do Velho Testamento. Pois bem, Daniel reencarnou como João, o discípulo amado. Entenderam porque é que o livro de Daniel parece um Apocalipse? É o pré-Apocalipse, inegavelmente é o prefácio, é o introito do Apocalipse de João, porque Daniel e João são uma pessoa só. 

"Naquele tempo se levantará Miguel, o Grande Príncipe, que se levanta pelos  filhos do seu povo e haverá um tempo de angústia como nunca houve desde  que houve nação até aquele tempo. Mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que se achar inscrito no livro, e muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, outros para vergonha e desprezo eterno."

Exatamente, está lá, no livro de Daniel! Isto é muito importante! Vale a pena reler Daniel.

Vocês sabem como é que Daniel se tornou famoso, não é? Veio lá de baixo, veio assim, quase que como escravo, como rebotalho humano. Mas, um dia, o rei Nabucodonosor teve um sonho e chamou os magos, os adivinhos, os encantadores, feiticeiros, toda aquela gente do seu reino e até alguns fora do reino. E ninguém pode interpretar o sonho do rei Nabucodonosor por uma razão muito simples: porque Nabucodonosor não quis contar o sonho. 

Ele dizia: 

"Vocês não são adivinhos? Então vocês tem de saber o que foi que eu sonhei. Primeiro vão dizer o que foi que eu sonhei, depois eu quero a explicação."

Essa é grande! Essa é muito interessante! Não houve um barbado daqueles, macróbio daqueles, centenário daqueles que soubesse explicar nem o sonho nem a interpretação do sonho. Nesta hora apareceu Daniel, jovem, ainda imberbe. Naturalmente se compadeceu, porque o rei Nabucodonosor  mandou matar  aquela  gente  toda,  e, claro  que   como aprendiz de profeta, Daniel também ia ser degolado. Então tratou de defender aquela gente. Pediu a Deus que lhe mostrasse o sonho de Nabucodonosor, e como Daniel já vinha predestinado, já era o profeta chamado, escolhido do Senhor, Deus lhe fez ver qual o sonho do rei Nabucodonosor. Então contou o sonho e Nabucodonosor confirmou: "- Realmente foi isso que eu sonhei, agora eu quero a explicação". Bem, a explicação é esta e esta.

Inclusive foi a Nabucodonosor que Daniel declarou: - Vais perder o teu reino, vais dormir com os vagabundos, vais comer a erva do campo como um cachorro, como um animal irracional; vais conhecer que todos são teus amigos enquanto és rei, quando perderes o reinado não terás nenhum amigo: amigo só há na hora da opulência. Tudo isso aconteceu, mas depois que Nabucodonosor compreendeu que Deus é que rege tudo, que Deus é que dá o poder, que Deus é que tira o poder, que Deus é que distribui as excelências, aí Nabucodonosor chorou um pouquinho, mas chorou mesmo, e de joelhos. Então Deus, satisfeito, o reconduziu à sua glória. Aí os "amigos" voltaram e  os "amigos velhos", disseram: 

"Bem, nós não viemos antes porque, afinal, tu caíste e nós não queríamos ser um constrangimento na sua vida."

Os amigos só servem para isso, claro que não há regra sem exceção. Mas, amigos, já dizia Sócrates: "Amigos? Não há amigos." Ou então aquele amigo cachorro da quadrinha de Belmiro Braga: "O cachorro é mais amigo do que um amigo cachorro". Pois bem, este Daniel, este extraordinário jovem, fez um verdadeiro Apocalipse no Velho Testamento. Quem quiser comparar  o livro  de Daniel com o Apocalipse de São João,




vai dizer: "Ué, parece um livro só!" Ambos fazem um livro só, por quê? Porque Daniel e João, o Evangelista, são a mesma pessoa, isto é, o discípulo amado já veio preparado para ser o Evangelista, e mais que Evangelista: Profeta. E é o maior profeta do tempo de Jesus depois de João Batista, evidentemente, porque até então era o maior dos nascidos do ventre de mulher. Quem quiser conhecer bem o Apocalipse tem que ler bem o livro de Daniel que é um livro eminentemente apocalíptico.

Vocês sabem que revelação em grego é Apokalupsis, deu Apocalipse em português, mas quer dizer Revelação. Toda a vida de Daniel é uma série de revelações, e não somente com o rei Nabucodonosor, também temos episódio de Baltazar. Baltazar acabou abusando do poder, mas abusou de verdade, então, no meio do festim, apareceu um pedaço de mão escrevendo na parede do banquete: MANE, TEKEL, FARES, e Baltazar chamou toda aquele gente que adivinha, astrólogos.  (Hoje, então, como há charlatões fantasiados de astrólogos, meu Deus do céu!) Estão em todas as rádios, todas as televisões, astrólogos que são apenas impostores, mas Deus os julgará.

Ninguém soube decifrar aquelas palavras que aquele pedaço de mão escreveu no banquete, no festim de Baltazar. Foi quando apareceu Daniel e disse o significado daqueles elementos escritos na parede.

Não é bem assim, mas que, com vulgaridade, ficou MANE, TEKEL, FARES, teus dias estão contados, serás assassinado na noite de hoje. Realmente Baltazar foi morto naquela noite; isto é poder profético. Esse dom Deus dá a quem acha que deve dar. Deus não dá a qualquer um, só dá a quem o saiba usar pelo bem comum, não para enriquecer nem para fazer cartaz em rádio e televisão, ou na imprensa, ou cinema, ou no teatro. Esses dons não se vendem, são de Deus para as criaturas humanas, são as coisas chamadas invendáveis. Pois bem, a morte de Baltazar confirmou o talento profético, verdadeiramente divino, de Daniel.  Daniel que reencarnou como João, o Evangelista para completar o seu Apocalipse. Tanto que vocês vão encontrar expressões iguais em Daniel e no Apocalipse segundo São João:  "dois tempos, um tempo, metade de um tempo".

Ainda que a volta do Cristo seja para os ímpios uma cena de terror, destruição, para os justos vai ser uma grande cena de alegria e triunfo. Quando chegar a hora da aflição do mundo então chegará o repouso dos santos. Os que sofreram vão ver que não choraram em vão diante das injustiças e maldades humanas. A volta do Cristo, que é como a labareda de fogo para tomar vingança dos ímpios, trás consigo o repouso para todos aqueles que creem e amam. Quem é que diz isso? - O Apóstolo dos gentios, São Paulo na sua II Epístola aos Tessalonicenses, capítulo 1. Sim, os maus não vão querer nem ouvir falar da volta de Jesus. Mas os bons, estes não esperam outra coisa.

JESUS JÁ ESTÁ VOLTANDO, Jesus volta para julgar a todos, de modo que,  nesta  oportunidade,  mais  se impõe  o  estudo do Apocalipse para saber o que é que vem lá. Vocês vão ter revelações espantosas,  vocês vão ter um Apocalipse neutro que serve a todas as correntes em litígio. Ninguém vai vencer, quem vai vencer é Jesus!

Capítulo 1, versículos 8, 9 e 10

"Não vos deixarei órfãos, Eu voltarei": o Pastor do rebanho único que nos deu o seu Novo Mandamento está voltando à Humanidade, e é por isso que estamos levando a todo Brasil o Apocalipse de Jesus segundo São João, o último livro da Bíblia Sagrada, o livro das profecias finais, o livro, que nesta altura da marcha da Humanidade, é o mais importante de toda a Bíblia Sagrada. Vamos, então, continuar na explicação do Apocalipse em espírito e verdade à luz do Novo Mandamento.

O versículo 8 do primeiro capítulo:

"Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, o que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso".

Como se vê, surge aqui outro interlocutor. Até esse momento quem falava era João, o Evangelista, mas este versículo não tem ligação com o versículo que o precedeu nem com o que vai seguir. Deve-se determinar, portanto, quem aqui está falando, naturalmente que através dos termos que emprega. De novo encontramos a expressão "o que é, que era e que há de vir". Já fizemos notar que se refere exclusivamente a Deus, o Criador incriado e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas, naturalmente, alguém perguntará: - A palavra Senhor não dará a entender que se trata de Jesus, o Cristo?

Muito já se escreveu sobre este ponto. Burns, por exemplo, com o original grego na mão, diz que está escrito Deus, não Senhor. Deus, Senhor, não! E esta é a linha adotada por Gripa, por Pittman, Hans e é hoje considerada a lição correta e definitiva. Por exemplo. Bloomfield subentende a palavra Deus e considera as palavras "o princípio e o fim" como interpolação. Assim, com  propriedade, termina a primeira divisão principal deste capítulo: COM A REVELAÇÃO DE SI MESMO feita pelo GRANDE DEUS como tendo uma eternidade de existência passada e futura e um poder infinito, estando, por isso, em condições de realizar as ameaças e promessas constantes do Apocalipse.

No versículo 9, encontramos: 

"Eu, João, que também sou vosso irmão, companheiro na aflição e no reino e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e pelo testemunho do Senhor Jesus."

Como se vê, o assunto passa agora a seguir novo rumo, apresentando João, o discípulo amado, o lugar e as circunstancias em que foi dado o Apocalipse. Primeiramente se apresenta como irmão da Igreja Universal, seu companheiro nas aflições que acompanham a profissão cristã nesta vida terrena.

E é duro ser cristão cá em baixo, mas, também do contrário qual seria o nosso merecimento? O merecimento é testemunhar Jesus diante da incredulidade, da chalaça, da galhofa, da debilidade mental, da irresponsabilidade da maioria esmagadora da humanidade. Neste é que tem merecimento, neste é que há honra e glória para Nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, aí está o padrão: é o discípulo amado, companheiro nas aflições que acompanham a vida de cada cristão no plano terra.

"E no Reino": Estas palavras têm dado motivo a muita controvérsia. Na realidade João quer dizer que os cristãos, no estado presente,  se encontram no REINO DO CRISTO, ou, em outros termos: QUE JÁ ESTAVA ESTABELECIDO NOS SEUS DIAS O REINO DO CRISTO. Se esta linguagem tem alguma relação com o estado presente, deve tê-lo num sentido muito limitado.   Os  que  defendem sua  aplicação  terrena   (isto ocorre geralmente em São Pedro, na sua I Epístola, capítulo 2, versículo 9) para provar a existência de um REINO no estado presente e para mostrar a sua natureza.

Mas, como observamos, a propósito do versículo 6, o REINO LITERAL dos santos é ainda coisa do futuro, como está  nos Atos dos Apóstolos, capítulo 14, versículo 22: "é por muitas tribulações que nos importa conquistar o REINO DE DEUS". Mas quando tivermos entrado nesse Reino então cessou a tribulação. A "tribulação" e o "Reino" não podem existir simultaneamente.

O grande estudioso Murdock, ao traduzir do ciríaco este versículo, omite a palavra "reino" e apresenta a seguinte lição: "Eu, João, vosso irmão e companheiro na aflição e sofrimento que estão em Cristo Jesus".

Wakefield traduz: 

"Eu, João, vosso irmão e participante convosco em sofrer a aflição do reino de Jesus, etc." 

Bloomfield diz que pelas palavras "aflição e paciência" são significadas aflições, perturbações que devem ser  suportadas por causa e na causa do Cristo de Deus. "Reino"  refere-se ao que há de ser participante com Ele no reino que diz estar preparado. Diz ele que o melhor comentário a esta passagem está em São Paulo na II Epístola a Timóteo, capítulo 2, versículo 12, onde lemos: "Se sofremos, também com Ele reinaremos".

De tudo isto podemos concluir com segurança que, posto haja um "reino de graça" no presente estado, o "reino" a que aludia João é o futuro REINO DE GLÓRIA. O sofrimento  e paciência são preparatórios para a sua conquista. Realmente, para conquistar o REINO DE DEUS é preciso sofrer muito. "O Reino de Deus é daqueles que sofrem e amam", já dizia Pietro Ubaldi. 

Agora vamos ver o lugar em que se encontra o intérprete da grande visão que lhe foi dada pelo Cristo de Deus. É uma ilha chamada Patmos, uma ilha pequena, estéril, perto da Costa Ocidental da Ásia Menor, entre a ilha de Cária e o Promontório de Mileto, onde no tempo de João se encontrava a mais próxima Igreja Cristã. Tem cerca de oito milhas de comprimento, uma de largura  e  dezoito  de  perímetro.  Seu nome  atual  é   Patmos ou Patina.   A  costa é escarpada,  consta de uma




sucessão de cabos que formam muitos portos. O único usado, hoje, é uma profunda baía protegida por altos montes de todos os lados, exceto de um, onde é protegida por um promontório. A povoação, ligada a este porto, está situada num monte escarpado e rochoso, sobranceiro ao mar, é o único local habitado da ilha. Bem a cerca de meio caminho do monte em que está construída esta povoação, existe uma gruta natural na rocha onde João teve a sua visão e escreveu este Apocalipse. Claro que ele foi o grande médium inspirado, foi o vidente e psicógrafo do Apocalipse que é de Jesus, o que não cansamos de repetir.

Devido ao seu caráter agreste e isolado, Patmos era usada pelo império romano como lugar de exílio, o que explica o ter João sido banido para lá. Ele foi exilado pelo testemunho do Evangelho. Os imperadores e seus áulicos não admitiam que se falasse no nome de Jesus, como também os principais sacerdotes. Supõe-se, geralmente, que o exílio do Apóstolo teve lugar pelo ano 94, pelo imperador Domiciano, por isso a data atribuída à composição do Apocalipse é 95 ou 96. Pois bem, meus amigos e meus irmãos, por causa da Palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus, o Cristo, este é que foi o grande crime, o procedimento miserável, condenável, de João, o discípulo amado. Seu crime era este: "pregar a verdade e fazer caridade". É o meu crime, é o crime de todo Legionário digno desse nome, graças a Deus!

Pois bem, o tiranete Domiciano, revestido, então, da púrpura imperial de Roma, mais eminente pelos seus vícios do que pela própria posição civil, recuou perante este idoso, mas intrépido apóstolo: não ousou permitir a promulgação do seu puro Evangelho dentro dos limites do Império.  Temos aí a origem do exílio de João, o Evangelista. Domiciano o exilou para a solitária Patmos onde, se bem que ainda vivo, se podia dizer que estava fora do mundo. 

Retendo-o lá, naquela ilha estéril, solitária e no cruel trabalho das minas, julgava o Imperador, sem dúvida, ter-se desfeito do pregador, e que o mundo não ouviria mais falar dele. A história se repete, e assim pensavam também, sem dúvida, os perseguidores de Dorian, quando o enterravam na prisão de Belfort.

Mas quando o homem pensa ter sepultado a verdade no esquecimento eterno, Deus lhe dá uma ressurreição e uma centuplicada glória e poder. Da escura e acanhada cela, Dorian irradiou uma luz espiritual que, com a própria Bíblia, defendeu os interesses do Evangelho de Jesus.

E assim, também, da estéril ilha de Patmos, onde Domiciano pensava estar para sempre extinto o grande farol da verdade, veio a magnífica revelação de todo o cânon sagrado que irradia o seu divino fulgor por toda a Humanidade até o fim dos tempos. Quantos haviam de reverenciar o nome do discípulo amado, de deixar-se prender com os eleitos pelas suas arrebatadoras visões da glória celeste, e jamais ouviram o nome do monstro que causou seu exílio. Quem é que sabe quem foi Domiciano? E, entretanto, aí está o discípulo amado em toda a sua glória com este maravilhoso Apocalipse!

Realmente ele estará presente no dia que assim for cumprida as palavras da Bíblia Santa, que declara: "que o justo ficará em memória eterna, mas o nome do ímpio apodrecerá".

No versículo 10, vimos João dizer: 

"Eu fui arrebatado em espírito, no dia do Senhor e ouvi atrás de mim, uma grande voz, como de trombeta".

"Fui arrebatado em espírito" - embora sequestrado entre todos os que professavam igual fé, e quase exilado do mundo, o discípulo amado não estava separado de Deus, nem do Cristo, nem do Espírito Santo, o que é o meu caso, é o caso de todos aqueles que trazem missão mas são bloqueados e sabotados pela ignorância espiritual. Mas está certo, é assim mesmo, do contrário não haveria merecimento.

Se Jesus viesse, em pessoa, pregar de novo, que é que fariam com Ele? Pior do que fizeram da primeira vez. Só que desta vez Jesus está voltando e não é para ser crucificado, não! É para dar a sentença final, é para separar os justos dos injustos, os bons dos maus, as ovelhas dos bodes, para separar o trigo do joio. Você tem que escolher, desde já, entre o bem e o mal, entre o Cristo e o anticristo, não há outra escolha.

Pois bem, embora solitário, João mantinha, ainda, comunhão com seu Divino Senhor, e a expressão "em espírito" sugere o mais alto estado de elevação mental ou espiritual a que uma pessoa pode ser levada pelo Espírito de Deus. Na verdade, meus amigos, marcava o início da sua visão extraordinária. Isto aconteceu no "dia do Senhor". Este "dia do Senhor" é tão importante, mas tão importante mesmo, porque houve um pecado humano, que é realmente deplorável, no que se refere ao "dia do Senhor".

Nós não temos nenhum fanatismo, vocês nos conhecem muito bem! Os Legionários  são os espíritos  mais evoluídos do planeta, porque  não  se agarram a exclusividades, sectarismos, radicalismos, intolerâncias, intransigências. A verdadeira Família Legionária, os 144.000 salvos, um só rebanho para um só Pastor, representa o que há de mais elevado em matéria de elevação espiritual.

Capítulo 1, versículos 11 a 18:

Vamos ver o que significa espiritualmente o "Dia do Senhor". 

Afinal, a que dia se refere esta designação "Dia do Senhor"? 

Qual o significado desta expressão "Dia do Senhor"? Vocês sabem, muito bem, que quatro posições são tomadas por quatro classes de pessoas espiritualizadas:

Primeira: uma classe defende que a expressão "Dia do Senhor" abrange toda a dispensação cristã (não significa qualquer dia particular de 24 horas).

Segunda: outra classe já opina que o "Dia do Senhor" é o dia do juízo final, o futuro   "Dia do Senhor"   a   que   tantas   vezes   se   faz   referência  nas Escrituras Sagradas, isto é, na Bíblia, a Palavra de Deus.

Terceira: o terceiro ponto de vista, talvez o mais geralmente admitido, é o daqueles que afirmam que a expressão se refere ao domingo, primeiro dia da semana.

Quarta: o último ponto de vista - outra classe mantém que significa o sétimo dia: o "Sábado do Senhor".

"Então vamos logicar", como diria o saudoso Leopoldo Machado, o Legionário número 2. Vamos "logicar":

primeiro ponto: à primeira destas posições basta responder que o livro do Apocalipse é datado pelo seu autor João, o Evangelista, na ilha de Patmos, no "dia do Senhor". Prestem bem atenção! O autor, o lugar onde foi escrito, o dia em que foi datado, tem uma existência real e não apenas uma existência simbólica ou mística. Mas se dizemos que o "dia" significa a dispensação cristã, então demos-lhe um significado simbólico ou místico, o que não seria admissível. Além disto, esta posição implica o absurdo de fazer João, o Evangelista, dizer 65 anos depois da "morte" do Cristo. Vejam bem, que a visão relatada foi vista por ele na dispensação cristã, como se algum cristão pudesse ignorar este fato. Sai dessa! Não tem saída!

Segundo ponto: a segunda posição, a de que se refere ao "dia do juízo, do julgamento",  não pode ser correta, pois embora João possa haver tido uma visão acerca do "dia do juízo", não a podia ter neste dia. Por quê? Porque este era ainda futuro. A palavra traduzida por Hemphill, do grego original, quando se refere a tempo, é definida pelo famoso Robinson nos termos seguintes: tempo em que, um ponto ou período definido em, durante o qual alguma coisa tem lugar. Nunca significa acerca de, nunca sobre, sendo assim, os que referem esta expressão ao "dia do juízo", ou contradizem a linguagem usada fazendo-a  significar "acerca" em vez de "em", ou fazem João afirmar uma estranha falsidade dizendo que teria uma visão da ilha de Patmos, aproximadamente dezenove séculos no  "dia do juízo", que seria ainda futuro. Isto é muito importante!

Terceiro ponto: para o terceiro ponto de vista, que é o geralmente seguido, diga-se de passagem, que o "dia do Senhor" significa o domingo, primeiro dia da semana. Desejaríamos, entretanto, uma prova. Que evidência temos nós para fazer semelhante afirmação? O próprio texto não define a expressão "dia do Senhor". Por isso, se significa o primeiro dia da semana, devemos procurar noutra parte da Bíblia a prova de que esse dia da semana é sempre assim designado.

Os únicos outros escritores inspirados que falam do "primeiro dia", são: Mateus, Marcos, Lucas e Paulo Apóstolo, e falam dele, simplesmente, como primeiro dia da semana, nunca falam dele distinguindo-o de qualquer outro dos seis dias de trabalho.   Isto  é notável para o ponto  de




vista popular, porque três deles falam desse dia na própria altura em que  diz  ter-se  tornado  o "dia do Senhor",  por se  haver  realizado  nele  a ressurreição de Jesus, e dois deles mencionam cerca de trinta anos depois desse acontecimento. Aos que afirmam que "dia do Senhor" era expressão usual para o primeiro dia da semana no tempo de João, o Evangelista, então, perguntamos: Onde está a prova disto? Onde? Em que lugar? Não se pode encontrar, mas nós temos a prova justamente do contrário. Basta ver a "História do Sábado" de J. N. Andrews, que ali o assunto é esclarecido de uma forma contundente.  Se esta fosse a designação universal do primeiro dia da semana, na altura em que o Apocalipse foi escrito, o mesmo autor devia, certamente, chamá-lo assim em todos os seus escritos posteriores.

Ora, João escreveu o Evangelho depois de ter escrito o Apocalipse, e quase ninguém sabe disto. Todavia, no Evangelho (que é o 4º Evangelho) ele chama ao primeiro dia da semana, não "dia do Senhor", mas, simplesmente, que o primeiro dia da semana é o domingo. Isto é muito importante! As provas de que o Evangelho foi escrito depois do Apocalipse estão nas notas de Bloomfield, Barnes, Roams, Sevmil, e muitos outros.

O que mais ainda contraria a pretensão em favor do primeiro dia é que o fato de que nem o Pai, nem o Filho, jamais reclamaram ao atribuído a qualquer dos outros dias de trabalho. Isto é muito importante!

Deus não disse "este é o meu dia", só fez com o sábado. Prestem atenção! Peguem  os Mandamentos! Isso passa despercebido porque a treva sabe trabalhar muito bem, e joga areia nos olhos de muita gente desavisada. O único dia em que Deus faz questão é o SÁBADO! Isso foi por acaso? E por acaso entraria nos Mandamentos, nas Tábuas das Leis, que são os 10 Mandamentos? Isto é muito importante!

Meus amigos, se devesse chamar-se "dia do Senhor" por se ter realizado no domingo a ressurreição de Jesus, a inspiração os teria, sem dúvida, informado. Mas, há outros acontecimentos igualmente essenciais ao plano da salvação, como por exemplo, a crucificação, a ascensão aos céus. E, na ausência de qualquer instrução sobre este ponto, porque não chamaremos ao dia que qualquer um deles ocorreu, o "dia do Senhor"? Com tanta razão como ao dia em que Ele ressuscitou dentre os mortos? Aí temos que dizer, francamente, que Deus é maior do que Jesus, ou será que Jesus não ensinou assim, "O Pai é maior do que Eu."?

Por que esta confusão dos que querem fazer de Jesus o próprio Pai quando Jesus é o Filho Unigênito? Isto é muito importante,           está radicado, vinculado ao sábado. 

Nós vamos chegar lá!

Ponto número 4: postas de lado as três primeiras posições já examinadas,  já  reclama, agora, a nossa atenção a quarta, que identifica o "o dia do Senhor" com o SÁBADO DO SENHOR, o que é susceptível da mais clara e definitiva prova.

1) Quando Deus, no princípio, deu ao homem seis dias da semana para trabalhar, expressamente reservou para Si o sétimo dia, colocou sobre ele a sua bênção e o reclamou como o SEU SANTO DIA. Ou será que Deus é volúvel, que hoje diz uma coisa e amanhã diz outra. Não tem saída!

2) Moisés disse a Israel no deserto no sexto dia da semana: "Amanhã é repouso, é o Santo Sábado do Senhor". Chegamos ao Sinai onde o grande legislador hebreu proclamou os seus preceitos morais com terrível solenidade, e nesse supremo código assim reclama o seu Santo Dia: "o sétimo dia é o Sábado do Senhor teu Deus, porque em seis dias fez o Senhor os céus, a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou". Portanto, abençoou o Senhor o dia de sábado e o santificou.

No profeta Isaías, cerca de 800 anos mais tarde, falou Deus nos seguintes termos: "Se desviares o  pé de profanar o sábado e fazer a tua vontade no meu Santo Dia; então te alegrarás no Senhor, te deleitarás no Senhor" (está no livro de Isaías, capítulo 58, versículo 13, para quem quiser verificar). Isaías foi, praticamente, o 5º evangelista, profeta extraordinário, previu tudo o que aconteceria com Jesus. E aconteceu. Chegamos aos tempos do Novo Testamento, e aquele que é um com o Pai, disse: "Eu e o Pai somos um". Declara, expressamente, "o Filho do Homem é senhor do sábado". Pode alguém negar que o dia de que Ele, enfaticamente, declarou que é do Senhor, seja de fato "o dia do Senhor"? Vemos assim que, quer esse título se refira ao Pai ou ao Filho, nenhum outro dia pode ser chamado "dia do Senhor" senão o sábado. Deixamos aqui este ponto para novas considerações.

Nesta dispensação há um dia distinto apenas dos outros dias da semana como sendo "o dia do Senhor". Este fato desaprova a pretensão de alguns que afirmam não haver sábado nesta dispensação, mas que todos os dias são iguais: se denominam "o dia do Senhor". 

Podemos acrescentar um pensamento adicional ao que foi dito acerca  da pretensão de que "o dia do Senhor", do versículo 10, se refere ao primeiro dia da semana, que em vez de o Cristo dizer "o Filho do homem até do sábado é Senhor" (como está no Evangelho segundo São Mateus, capítulo 12, versículo 8), se Ele tivesse dito "o Filho do Homem até do primeiro dia da semana é Senhor", não seria isso hoje apresentado como prova conclusiva de que o primeiro dia da semana é o dia do Senhor. Eis aí, naturalmente, com boa razão, então deve concordar que tem o mesmo peso para o sétimo dia em relação ao qual foram pronunciadas estas palavras: "O Senhor é, também, o Senhor do sábado. Até do sábado o Filho do Homem é Senhor".

Meus amigos, meus irmãos, pode parecer assim extemporâneo tratar da questão  do  "sábado"  quando  ela parece  liquidada.  Há  dois  mil  anos liquidada, muita gente fala, mas não está, não! Muita coisa que parece verdadeira está errada e também dura dois mil anos, talvez mais,  ou será que nós podemos mudar os pensamentos de Deus? Evidentemente, não! De   modo   que   guardem   bem   estas  palavras sobre o sábado, porque depois vão compreender o porquê. Hoje foi assim, uma passada, foi assim de raspão, por quê? Porque João Evangelista, de passagem, diz: " No dia do Senhor eu tive essa visão assim, assim, na ilha de Patmos".

Do versículo 11 até ao 18, uma voz que dizia:

"o que vês escreve em um livro e o envia às sete igrejas que estão na Ásia: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiátira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia. Então vir-me-ei para ver quem falava comigo, e virando-me, vi sete castiçais de ouro, e no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do Homem, vestido até aos pés com a veste talar, isto é, uma veste comprida, cingido pelo peito com um cinto de ouro. Sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã branca, como a neve, seus olhos eram como a chama de fogo e os seus pés semelhantes ao latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, sua voz era como a voz de muitas águas, e ele tinha na sua destra sete estrelas, da sua boca saía uma aguda espada de dois fios, seu rosto era como um sol quando na sua força resplandece, e eu quando o vi, caí a seus pés como morto. Então ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas, eu sou o primeiro e o último, aquele que vive; eu fui morto, mas eis-me aqui, estou vivo para todo o sempre e tenho as chaves da morte e as chaves do inferno."

"Vir-me-ei para ver quem falava" , isto é, a pessoa de quem vinha a voz.

"Sete castiçais de ouro" 

O que significa? Estes não podem ser os antítipos do castiçal de ouro do antigo serviço típico do templo. Por quê? Porque este era apenas um castiçal com sete braços, fala-se dele no singular, mas aqui não. São apresentados sete, e estes são, com mais propriedade, suportes de lâmpadas do que simplesmente castiçais. Suporte sobre os quais são postas lâmpadas para iluminar um quarto e não tem semelhança com o antigo castiçal. Pelo contrário, os suportes são tão distintos, tão separados uns dos outros, que se vê o Filho do Homem, isto é, Jesus, o Deus feito homem, a andar pelo meio deles.

"Filho do Homem" 

Já que tocamos neste ponto: a figura central e absorvente da cena, agora patenteada a João, e a majestosa forma de alguém semelhante ao Filho do Homem representando o Cristo. A descrição feita Dele, aqui, com as suas ondulantes vestes, com seu cabelo branco (não pela idade, mas pelo brilho de glória celestial), seus olhos irradiando fogo, seus pés fulgurantes como metal reluzente, sua voz como o som de muitas águas (é o que está aqui no texto), é de uma grandiosidade e de uma sublimidade realmente inexcedível! Que espetáculo extraordinário!   Eis  aqui  uma  coisa  que  a televisão  jamais poderá fazer, mas vocês, com a imaginação, compõem  esse quadro belíssimo.

Subjugado pela presença desta augusta Entidade, deste ser incomparável, que aconteceu? "João caiu a seus pés como morto", mas confortadora mão  coloca-se sobre  ele e  uma voz  de doce conforto,  lhe



segunda-feira, 15 de julho de 2019


diz: "Que não tema". 

Também os cristãos têm, hoje, o privilégio de sentir esta mão sobre eles, fortalecendo-os, confortando-os em horas de provas e aflições. Cada cristão, inclusive eu nas minhas provas terríveis, ouve a mesma voz, a dizer: "Não temas!" Porque a gente, às vezes, se esquece que Deus está vendo essas coisas, mas a mais alegre certeza em todas estas palavras de conforto é a declaração da grande Entidade, do Ser extraordinário, que vive para todo o sempre, e que é o árbitro da morte e da sepultura, porque Ele diz: "Eu tenho as chaves da morte e do hades (isto é, da sepultura no grego original).

A morte é um tirano vencido, ela pode aplicar-se à sua macabra tarefa de amontoar nos sepulcros, através dos séculos,  as preciosidades da terra. Pode se envaidecer durante certo tempo com seu triunfo aparente, mas, na verdade, realiza um trabalho infrutífero, porque a chave da sua escura prisão foi arrebatada das suas garras, está, agora, segura nas mãos de alguém mais poderoso que a morte. Ela é obrigada a depositar os seus troféus num terreno onde outro tem absoluto domínio, e este é o imutável amigo, este é o amigo único de todas as horas, principalmente nas más, nas horas ruins, nas horas tristes da solidão e do abandono, este é o Redentor daqueles que O amam. Vós, portanto, não vos entristeçais e também não choreis os justos que partiram antes de vós, eles estão num porto seguro. Durante um pouco de tempo o inimigo o retém, mas um Amigo, de força maior, possui a chave da prisão. Esse amigo é Jesus que venceu a morte! E cada um de nós também vai vencer a morte com o poder de Jesus! 

Finalmente, o versículo 19: 

"Escreve as coisas que tens visto, e as que são e as que depois destas hão de acontecer."

Neste versículo é dado a João, o Evangelista, na ilha de Patmos, desterrado por causa do seu testemunho da Palavra de Deus, uma ordem peremptória para escrever toda a REVELAÇÃO que se referia, principalmente, a acontecimentos que estavam no futuro, até o fim deste ciclo em que nós estamos. 

Em alguns casos raríssimos haveria referência a acontecimentos então passados ou presentes. Mas essas referências tinham apenas o fim de preparar o caminho para acontecimentos que deviam realizar-se depois daquele tempo de modo que nenhum elo pudesse faltar na corrente. 

Agora é que vamos entrar mesmo no significado importantíssimo nas mensagens às sete Igrejas, e vocês vão ver quanta coisa preciosa está oculta até hoje aos olhos dos que não têm olhos de ver e, entretanto, pregam   Evangelho   sem  saber  Apocalipse.     Hoje,   quem   não   sabe Apocalipse já não sabe Evangelho. É o reverso. Temos que unir o verso e o reverso, porque ambos são inseparáveis.

Sim, meus amigos e meus irmãos, guardem atentamente o significado destas mensagens às sete Igrejas que, na verdade, são mensagens a todos os cristãos da humanidade.

Capítulo 1, versículo 20; e capítulo 2, versículos 1 a 7.

Vimos o versículo 19: 

"escreve as coisas que tens visto e as que são e as que depois destas hão de acontecer", entramos no versículo 20: "O mistério das sete estrelas que viste na minha destra e dos sete castiçais de ouro, as sete estrelas, são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais que viste são as sete igrejas do Senhor".

Ora, representar Jesus, o Filho do Homem, isto é, Deus feito homem, tendo na sua mão apenas os ministros das sete igrejas da Ásia Menor, andando apenas no meio dessas sete igrejas, seria reduzir, sinceramente, as sublimes representações e declarações deste capítulo, como também nos seguintes, à maior das insignificâncias. O cuidado providencial e presença do Senhor não se exercem apenas junto de um número restrito de igrejas, mas junto de todo o seu povo, isto é, de toda a Cristandade. 

E agora a Cristandade, como nós a vemos pela revelação do Novo Mandamento: sois todos irmãos com diferentes nomes, católicos, protestantes, espíritas, umbandistas, judeus, muçulmanos, esotéricos, teósofos ou teosóficos, e assim por diante. Não podemos apenas olhar Jesus assim, não apenas no tempo de João, nem através de todos os séculos, mas o Cristo cósmico, enfeixando no regaço todas as suas ovelhas do mundo com aquelas palavras que ainda estão dentro no nosso coração: 

"Eu estarei convosco, todos os dias, até o fim do mundo, até a consumação dos séculos".

Mas depois de apresentar o assunto do capítulo 1 com referência geral às sete Igrejas, representadas pelos "sete castiçais", e aos missionários, ou ministros, ou responsáveis pelas igrejas, representados pelas "sete estrelas", João toma agora, cada Igreja em particular, e escreve a respectiva mensagem, dirigindo-a, em cada caso, ao anjo da Igreja como está no original:

"Escreve ao anjo da Igreja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas e que anda no meio dos sete castiçais de ouro: Eu conheço as tuas obras, o teu trabalho, a tua paciência, sei que não podes sofrer ou suportar os maus e puseste à prova os que se dizem ser apóstolos e não o são, porque tu os achastes mentirosos, e sofreste e manténs a paciência e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste. Tenho porém contra ti que deixaste a tua primeira caridade, o teu primeiro amor. Lembra-te, portanto, de onde caíste e arrepende-te, e praticas as primeiras obras senão brevemente virei a ti, tirarei do teu lugar o seu castiçal, se não te arrependeres. Isto tens de bom, porém, odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio. Quem tem ouvidos ouça o que o espírito diz às igrejas do Senhor. Ao que vencer eu lhe darei a comer o fruto da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus".

É muito importante esta mensagem primeira, dirigida à Igreja de Éfeso. A propósito do capítulo 1, versículo 4, foram apresentados alguns motivos pelos quais as igrejas, ou melhor ainda, as mensagens dirigidas a elas deviam ser consideradas como proféticas, tendo a sua aplicação a sete períodos distintos que abrangiam a Era Cristã.

Podemos acrescentar agora que este ponto de vista não é novo, nem local. O famoso Benson cita o Bispo Newton, a dizer: 

"Muitos pretendem, e entre eles homens sábios como More e Vitringa, que as sete epístolas são proféticas e se referem a outros tantos períodos ou estados sucessivos da Igreja Cristã, desde o seu princípio até o fim dos tempos". 

E diz Scott:

"Muitos expositores do Apocalipse tem pensado que estas epístolas, às sete igrejas da Ásia, são profecias místicas de sete períodos distintos em que devia ser dividido todo espaço compreendido, desde os dias dos apóstolos até o fim do mundo".

Embora Newton discorde, não aceite esta maneira de ver, seu testemunho é de valor, porque mostra que foi a maneira de ver de muitos intérpretes bem intencionados do Apocalipse, mas não iluminados.  Tem sido defendida por alguns comentadores de valor uma opinião que pode ser resumida nas seguintes palavras de Vitringa: "que sob esta representação emblemática das sete igrejas da Ásia, o Espírito  Santo  delineou  sete  estados    diferentes   da  Igreja   Cristã  que  apareceriam,  em   sucessão, estendendo-se até a volta de Cristo Jesus, isto é, até a consumação de todas as coisas". Que isto é apresentado em descrições tomadas dos nomes, estados e condições destas igrejas, de maneira que pudessem contemplar a si próprias, e ver, tanto as suas boas qualidades como os seus defeitos; finalmente, e que conselhos e exortações lhes eram apropriados.

Ora, Vitringa apresentou um resumo dos argumentos que podem ser aduzidos em favor desta interpretação. Até que alguns deles são engenhosos, mas não são hoje  considerados suficientes para apoiar semelhante teoria. 

Um dos principais comentadores ingleses que adota um modo de ver de que são profecias das Igrejas do Cristo em diversos períodos de tempo, até que Ele apareça de novo, isto é, até o dia da Sua volta.  Pelos autores citados, premeditadamente, nota-se que o que levou os comentadores dos tempos modernos a pôr de lado a ideia da natureza profética das mensagens às sete igrejas, foi a doutrina, relativamente recente, sem base bíblica, do milênio temporal.

O último período da Igreja, como vem descrito no capítulo 3, versículos 15 a 17, parecerem incomparáveis com o glorioso estado de coisas que devia existir na terra durante mil anos com todo mundo convertido ao Senhor Deus. Daí, neste caso, como em tantos outros casos, o ponto de vista escriturístico ceder lugar ao mais agradável. Os corações dos homens, como nos tempos antigos, ainda amam coisas aprazíveis, e os seus ouvidos estão sempre, favoravelmente, abertos para aqueles que lhes falam de paz e de felicidade.  

Ora, a primeira Igreja é chamada Éfeso. Segundo aplicação feita aqui, abrangeria o primeiro período, ou seja, o período apostólico da Igreja Cristã (note-se que, quando falamos aqui em Igreja Cristã, não estamos falando em Igreja Católica, nem Protestante, nem igreja Espírita). Para nós, Igreja Cristã é a Cristandade toda, são todos os cristãos, sejam quais forem as religiões que adotem.  Vejam bem a   amplitude   desta  definição.    Cristianismo   para   nós  não  é  apenas



APOCALIPSE DE JESUS SEGUNDO SÃO JOÃO Em espírito e verdade à luz do Novo Mandamento de Jesus pelo método histórico-profético ALZ...